Natal: renuncia à obsessão "pelo que é material, mensurável e tangível". Os que têm que viver o Natal na pobreza, na dor, na condição de emigrantes, que apareça perante eles um raio da bondade de Deus

domingo, 25 de dezembro de 2011

Na tradicional Missa do Galo rezada na noite de 24 de dezembro, o papa Bento XVI pediu a Deus que "demonstre seu poder" e jogue no fogo "a vara do opressor, as túnicas cheias de sangue e a botas dos soldados", fazendo com que a paz vença neste mundo ameaçado pela violência.
Pelo terceiro ano consecutivo a Missa do Galo foi celebrada às dez da noite local (19h de Brasília) e não à meia-noite, para evitar fadigas ao pontífice, que tem quase 85 anos, e neste dia de Natal, voltará de novo à Basílica de São Pedro para pronunciar a Mensagem do Natal e distribuir a bênção "Urbi et Orbi", à cidade de Roma e a todo o mundo.
Bento XVI chegou ao templo no pedestal móvel que já utilizou nos meses passados para se deslocar pela longa Basílica de São Pedro para evitar esforços físicos.
Olhando uma imagem do Menino Jesus, o pontífice disse que o Natal é a manifestação de Deus através de uma criança para se opor a toda violência e levar uma mensagem de paz.
"Neste momento em que o mundo está constantemente ameaçado pela violência em muitos lugares e de diversas maneiras, no qual sempre há a vara do opressor e túnicas ensanguentadas, clamemos ao Senhor: Tu, oh Deus poderoso, vieste como criança e te mostraste a nós como o que nos ama e mediante o qual o amor vencerá", afirmou o papa.
Bento XVI acrescentou que os homens devem ser construtores da paz e assegurou que sofrem porque a violência continua no mundo.
"Por esses te rogamos: Demonstra teu poder, oh Deus! Neste nosso tempo, neste mundo nosso, faz com que as varas do opressor, as túnicas cheias de sangue e as botas barulhentas dos soldados sejam jogadas ao fogo, de modo que tua paz vença neste mundo nosso", implorou.
Em uma homilia em que clamou pela paz em várias ocasiões, o papa assinalou que Cristo nasceu em um estábulo de Belém "e não nos palácios dos reis", o que demonstra a humildade de Deus, que se fez pobre.
Bento XVI manifestou que o Natal se transformou em uma "festa do comércio" cujas luzes escondem o mistério da humildade de Deus, que nos convida à humildade e à simplicidade.
"Peçamos ao Senhor que nos ajude a atravessar com o olhar as fachadas deslumbrantes deste tempo até encontrar atrás delas o menino no estábulo de Belém, para descobrir assim a verdadeira alegria e a verdadeira luz", continuou.
O papa também se referiu à igreja da Natividade de Belém, erguida no lugar onde Jesus nasceu, e disse que da porta de entrada, que a princípio tinha cinco metros e meio de altura, só restou uma abertura de um metro e meio e é preciso se agachar para entrar.
Embora essa redução possa ser para protegê-la melhor de eventuais ataques e evitar que entrassem a cavalo nela, tem um significado mais profundo: quem deseja entrar no lugar do nascimento de Jesus, tem que se inclinar.
"Se queremos encontrar Deus que surgiu como criança, temos de nos apear do cavalo de nossa razão 'iluminada'. Devemos depor nossas falsas certezas, nossa soberba intelectual, que nos impede de perceber sua proximidade. Temos de seguir o caminho de São Francisco, que é a extrema simplicidade exterior e interior que faz o coração capaz de ver".
O papa exortou os fiéis a comemorar o Natal renunciando à obsessão "pelo que é material, mensurável e tangível" e pediu para todos aqueles que têm que viver o Natal na pobreza, na dor, na condição de emigrantes, que apareça perante eles um raio da bondade de Deus".
EFE

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